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Precisamos de jogos com menos histórias

Uma das características que mais levo em consideração quando analiso um jogo são seus aspectos mecânicos e desafiadores. De certa forma, estamos tão presos a essa nova solidão eletrônica que os jogos de videogame não só se tornaram um passatempo, melhor amigo e companhia nos momentos da vida,  mas para muitos tornaram-se um novo nicho da cultura pop. Por mais que possamos dizer “Este jogo é muito bom pela sua história”, não podemos negar que o plano de fundo e o que realmente “desenha” um jogo são seus desafios, progressões e mecânicas.

Por mais que evite comparações, nesse caso é necessário, se compararmos Super Mario, vamos falar das relíquias Super Mario 3 e Super Mario World, com, outra relíquia, Chrono Trigger podemos chegar a conclusão que:

1- Chrono tem uma história melhor

2-Chrono tem uma narrativa melhor

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Sim, isso é óbvio, o que não é tão evidente assim é que estes dois jogos são muito bons mecanicamente. Super Mario longe de ser um RPG tem em seu Design de fases, mecânicas e porque não dificuldade ao seu favor. O que quero dizer com isso? Não é porque um jogo tenha uma rica história, que fará dele um ótimo jogo. Resolvi resgatar estes dois jogos, pois com o avanço das tecnologias, a evolução dos computadores, consoles, explosão e agilidade da mídia nos condicionamos a ter um senso crítico um pouco incoerente algumas vezes.

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Essa evolução nos deixou carente de dificuldade em alguns jogos, essa vontade de contar algo, de que o jogador entre no mundo do game não pelo jogo e sim pela sua narrativa se tornou a tônica da indústria dos games. Não que eu considere isso ruim a curto prazo, sempre é legal poder entrar no mundo do jogo, interagir e se envolver com o personagem, mas o que eu sinto falta ,por exemplo, é a falta de personagens rasos para nos envolvermos, como  Mario, Sonic e outros ícones que foram esquecidos no caminho de transição até os dias de hoje, e que de vez em quando são resgatados com novas roupagens em algum reboot ou remake, algumas vezes são realmente bons, é claro.

A indústria, pelo menos o motor dela, investe pesadamente em narrativa e cutscenes, algumas vezes até exageradamente , e aí é o ponto que eu começo a me questionar se isso realmente é necessário para fazer um bom jogo. Se olharmos para dentro dos grandes lançamentos deste ano e os que estão para vir em 2016 parece que o tom sério, pesado e de certa forma até pretensioso em alguns jogos. Sinto que essa evolução por mais positiva que esteja  sendo, tem seus aspectos positivos e com a indústria dos portáteis praticamente “morrendo” e dando lugar aos joguinhos simples que seu irmão mais novo e sua mãe provavelmente devem jogar no Smartphone, seja um sinal de que algo está errado.

Não acho que os jogos densos deveriam acabar, muito pelo contrário, existem ótimos escritores procurando oportunidade, ótimas ideias e histórias que devemos explorar, nos aventurar e cair de corpo e alma, mas necessitamos de mais jogos novos que não tenham pretensão de ser algo como 1984, O Velho e o Mar, Crime e Castigo e Drácula são para a literatura. E principalmente a grande indústria não deveria  se esquecer desse tipo mais focado nas mecânicas e deixando um pouco da densidade da história de lado, coisa que muitos desenvolvedores independentes já fazem e se não fossem eles esse estilo de jogo já estaria morto, menos história mais jogos despretensiosos e com qualidade é CLARO.  Afinal de contas não só de boas histórias vive o homem,  os eSports estão aí para provar que isso sim é possível e existem vários tipo de pessoas, gostos e nichos diferentes de mercado. Talvez no fundo precisemos de um equilíbrio, da mesma forma que o cinema quando viveu sua crise no começo dos anos 90 devido a estagnação e saturação criativa, talvez e conspirando um pouco, esse número elevado de jogos lançados com tanto foco na imersão, narrativa e vontade de contar alguma história possa vir a saturar o mercado caso a qualidade e a pretensão não forem reavaliadas. Pois temo que no futuro jogaremos mais filmes que jogos e assistiremos mais jogos que filmes.

 

 

Rafael "Scarface" Luerce

PC Gamer desde a adolescência, vindo de uma geração onde quem jogava Diablo e Planescape: Torment era feliz.

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