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DLCs pagos em jogos – O bom, o mal e o feio

Jogos cada vez mais modernos em uma indústria cada vez mais crescente só sobem o número de DLC’s que são lançadas por aí. DLC (Downloadable Content/Conteúdo ”baixável”) se tornaram hoje uma ferramenta muito comum para vários jogos, sejam eles AAA, jogos antigos, indies, tanto faz. DLCs são uma ferramenta que pode ser usada para dar mais vida para um jogo que já foi terminado e isso pode servir de bom proveito tanto para os desenvolvedores de jogos como para os jogadores, mas sabemos que não é assim que as coisas são sempre, e hoje vamos falar um pouco sobre cada abordagem em conteúdo baixável PAGO em jogos.

  • O BOM

Um bom motivo para tornar uma DLC boa é fazer com que ela traga mais conteúdo para um jogo já bom que vá fazer uma diferença de verdade para o jogador. Afinal, você está pagando mais em um jogo que você já comprou. Você não pode simplesmente repetir algo do jogo base e transformar em uma DLC paga, ou deixar o jogo base com falhas e completa estes buracos com DLC’s pagas. Além disso, o conteúdo novo precisa na maioria das vezes, dependendo do jogo, ocupar mais umas boas horas da aventura para novos usuários que já comprarem com as expansões pagas ou para antigos jogadores que terminaram o jogo mas sentem um gostinho de ”quero mais”.

Um bom exemplo disso: The Witcher III. A CD Projekt Red nunca decepcionou seus fãs até hoje e as expansões do Witcher 3 são como jogos independentes apenas no mesmo universo. CDP já lançou 16 DLC’s gratuitas para seus fãs, a maioria com pequenas missões e roupas para o seu jogo base, algo que deve SEMPRE ser gratuito, já que facilmente poderia estar no jogo.

Não estar no jogo não quer dizer que não foi pensado como uma expansão antes, apesar de tudo. Por exemplo, o jogo base do Witcher 3 apesar de não entregar muito, te apresenta um personagem vital para a primeira expansão ”Hearts of Stone”, um buraco não preenchido que a CD Projekt nunca iria deixar para o seu último jogo da franquia, como dizem.

Mesmo que a primeira expansão tenha sido pensada em existir, mesmo que a segunda também (se for pensar que no trailer de lançamento do jogo esperavam já ligar a personagem na história) o trabalho na expansão é ótimo. Mapas novos, criaturas novas, missão principal de longa extensão… A CD Projekt Red mostrou que você pode se empenhar e fazer um conteúdo pago pós-jogo de qualidade.

Outros jogos que trabalharam bem em suas expansões: The Last of Us (Left Behind), Fallout: New Vegas (todas expansões), Bioshock Infinite (Burial At Sea), Dark Souls II (todas expansões), Bioshock 2 (Minervas Dem), The Elder Scrolls V: Skyrim (Dragonborn) etc.

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  • O MAL

Nem toda tentativa de fazer um bom conteúdo como o jogo dá certo. Expansões pagas com conteúdo porco não faltam, e isso é o que mais assusta os consumidores de expansões de jogos.

Enquanto você pode sair feliz por uma DLC ser boa como as do Witcher, você pode se prevenir com DLC’s feias (próximo tópico) mas é difícil saber quando uma expansão que promete agregar mais a história do jogo não vai agradar.

Um bom exemplo disso: Fallout 4. A Bethesda raramente decepciona com suas expansões (mencionamos dois jogos dela acima, afinal) o que deixou ainda mais para baixo os fãs da série Fallout na quarta edição do jogo. Além de expansões curtas e tediosas, as expansões mostravam que nada novo poderia ser adicionado de legal no jogo base. Até a maior adição, que foi a criação de robôs, já existia com mods anteriormente, e não é lá essas coisas também.

Depois de um Fallout 3 com expansões que te faziam penetrar no universo de Fallout, voltando no tempo na guerra, inovando com batalhas dentro de uma nave alienígena. Um Fallout New Vegas, que apesar de divertido do começo ao fim, faltava uma construção melhor na história, que foi bem arrumado com a expansão Lonesome Road, Fallout 4 falha em tentar agregar qualquer coisa ao universo do jogo. O passe de temporada (que contém todas as expansões do jogo) está recebendo uma critica bem negativa dos fãs da série que compraram até hoje na loja da Steam.

É difícil saber quando uma expansão de história vai ser ruim, mas acontece, até com companhias que você costumava confiar fielmente.

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  • O FEIO

E chegamos na parte mais gananciosa desse post! O que está matando a industria de jogos de qualidade, a mão gananciosa da distribuidora em cima dos desenvolvedores, e o mar de dinheiro que os fãs dos jogos estão gastando por bobeira: as expansões desnecessárias pagas.

Você já jogou um jogo de tiro onde você precisava comprar (com dinheiro de verdade) para ter uma granada? Já jogou um jogo de luta que para desbloquear outros personagens você precisava gastar também dinheiro de verdade? Bom, você encontrou uma expansão da pior qualidade!

Enquanto DLC’s boas agregam ao jogo, DLC’s mal feitas são falhas criativas dos desenvolvedores, as DLC’s feias são apenas uma forma barata de continuar lucrando, da pior forma, em cima de um jogo. Microtransações em itens que já deveriam estar no jogo para acesso de todos os jogadores são um bom exemplo disso.

Tudo bem pagar por itens visuais, até certo ponto, mas pagar para ter vantagem sobre outro jogador é o que mais acontece, principalmente em MMO’s, sejam eles pagos ou gratuitos, jogos de celular nunca fogem disso também.

Além das pequenas transações para conseguir aquela arma sem precisar upar (Battlefield 3, alguém?) existe um outro nível bem feio nessas expansões pagas: expansões que são lançadas junto com o jogo, mas são pagas. Se a expansão sai, em um tempo de um mês, ao lançamento do jogo, ela poderia facilmente fazer parte do jogo base. Seja uma expansão pequena como um personagem, ou uma história totalmente completa como as expansões de Witcher 3, só o fato do seu lançamento sincronizado quer dizer que ela já faz parte da experiência de quem pagar extra, mas não de quem só pagou o jogo. Conteúdo grande ou não, foi removido do jogo.

Enquanto existir a mão nada criativa de distribuidores de jogos gananciosos, vai existir expansões cada vez mais gananciosas e com tentativas de venda agressivas.

Jogos que se aproveitaram disso: Star Wars Battlefront, PayDay, Borderlands e seus Slaughterdomes, PayDay 2, 99% dos MMO’s coreanos, Watch Dogs 2, Bioshock Infinite Clash in the Clouds, Dead or Alive 5 e vários outros.

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Rian ''BlackDog''Duarte

Estudante de física, jogador casual e escritor com dislexia.

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