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Jogamos: Hellblade – Senua’s Sacrifice

Hellblade: Senua’s Sacrifice conta a história de Senua, uma guerreira celta que sobreviveu a invasão nórdica que dizimou o seu povo, incluindo o seu amigo e amante, Dillion. Senua então agora parte, com a cabeça de seu namorado, em busca de uma forma de traze-lo de volta, batalhando contra demônios, tantos reais quanto os de sua cabeça em um mundo sombrio com bastante mitologia nórdica.

Hellblade foi lançado para PC e PS4 no dia 08/08. O jogo foi totalmente desenvolvido e distribuído pela Ninja Theory, mesma equipe por trás de jogos como Enslaved: Odyssey to the West e DmC: Devil May Cry.

Hellblade: Senua’s Sacrifice não é um jogo para qualquer um, e isso não é só para quem tem problemas similares aos de Senua que ouve vozes o tempo todo (foram relatados casos de reembolso de pessoas que se sentiram mal por assimilarem as experiências do jogo), mas Hellblade não é o God of War que você simplesmente sai por ai balançando a sua espada e matando deuses. A maior parte de Hellblade está nos diálogos e nas cutscenes, que estão sempre trabalhando com a parte psicológica da personagem, assim como a do jogador.

Não é de se esperar menos de um jogo que já te avisa para não morrer muito, ou o seu progresso (save) será perdido, mas, o trabalho que a Ninja Theory teve, com profissionais, para conseguir trazer o incomodo esquizofrênico de lidar com várias vozes ao mesmo tempo comentando e conversando na sua cabeça foi excelente, por mais que a maioria das vezes estas vozes estejam lá para te ajudar. As vozes servem para te apresentar a história do jogo, para te orientarem, para fazerem comentários maldosos, te motivarem, te ajudarem com dicas tanto de combate como de orientação, e também para rir de você quando você estiver para morrer.

Falando no combate do jogo, ele é excelente… do seu jeito. Como eu disse anteriormente, você não vai sair como um hack’n’slash básico, encontrando inimigos toda hora, a maior parte do jogo você vai ter mais problemas com puzzles do que com batalhas, mas quando elas acontecem, ela são algo a mais no jogo. Cada inimigo apresenta uma dificuldade razoável, algumas variações de inimigos são realmente um pé no saco e brigar com mais de um ao mesmo tempo vai sempre ser um problema também, mas nada que as vozes não possam te ajudar. Saiba defender, saiba desviar e saiba a hora e onde atacar, e você ficará bem.

As batalhas me lembraram bastante For Honor, mas tudo fica mais bonito ainda quando você não tem HUD nenhuma na tela (falarei disso um pouco mais abaixo). Você tem algumas combinações de golpes e cada inimigo tem uma resposta para cada tipo de ação que você toma, assim como tudo o que você faz no jogo, o que deixa bem legal depois de algumas horas você ver algo totalmente novo que poderia ter visto no começo, mostra que o jogo foi bem, bem trabalhado. Infelizmente a variação de inimigos é pouca, mas como os combates não são tão constantes isso não vai te incomodar tanto como incomodaria em um hack’n’slash, e você ainda vai poder contar com os chefes do jogo, que em sua maioria são ótimas lutas.

”In your sword still beats a heart”

Agora falando dos visuais do jogo, que talvez seja o maior ponto do jogo. Não desvalorizando a história do jogo, o roteiro, as batalhas, mas, a direção de arte do jogo está de parabéns. Enquanto eu não conseguia me perguntar porque diabos colocariam puzzle games tão chatos em um jogo tão bonito, eu não conseguia não ficar surpreso sempre que resolvia um quebra-cabeça e o cenário mudava a minha volta, ou se, no meio do puzzle game, eu descobria algo no cenário que não tinha prestado atenção antes. De cenários mudando drasticamente para o controle de luz em cada ambiente, Hellblade já surpreendeu na sua primeira apresentação na E3 de 2016 e não só entregou o que prometeu, como surpreendeu ainda mais. A HUD inexistente, a narração das vozes na cabeça e os belíssimos gráficos tornam a experiência quase cinematográfica.

Confira algumas imagens (sem spoilers) para você tirar as suas próprias conclusões:


Hellblade: Senua’s Sacrifice não é um jogo para todos, mas, se o jogo te agradar, com certeza não vai ser pouco e ele vai te marcar bastante. Ele tem seus defeitos, como por exemplo, o excesso de quebra-cabeças que depois das duas primeiras vezes nem são tão interessantes assim, a trilha sonora que não consegue seguir a bela ambientação do jogo, apesar de alguns momentos mais a frente do jogo acertarem nas batidas do tema nórdico, e, apesar de ser parte da história e da maluquice na cabeça de Senua, inimigos surgirem do nada é um pouco desanimante na hora de iniciar um combate. Se você gosta de jogos com ótimos visuais, uma otina história e um jogo que não te dá muita informação como se você fosse um bebê mas te recompensa sempre que você descobre algo sozinho com a sensação de que fez algo útil, Hellblade: Senua’s Sacrifice é um jogo para você. O preço de lançamento está bem agradável também para o suor que foi posto no jogo, então dê essa chance para o título, vai. Só não se esqueça, jogue com um headphone para te ajudar a acompanhar as vozes, e se você estiver jogando no PC, jogue com um controle de preferência já que no mouse+teclado é bem mais difícil, não impossível, mas a Ninja Theory prometeu dar uma melhorada no futuro em mapeamentos de botões e sensibilidade do mouse.

 

The Review

85% Behind you!

PROS:
- Ótimos visuais
- História envolvente
- Desafiador para um jogador cansado de tutoriais
- Consegue ser inovador apesar de ser um jogo com elementos de outros jogos

CONS:
- Superuso de mini games de quebra-cabeças
- Menos de 10 horas de jogatina

50%
Rian ''BlackDog''Duarte

Estudante de física, jogador casual e escritor com dislexia.

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